90 Dias para te amar

Eu sabia que o amor dele por mim duraria exatamente três meses — porque esse era o tempo que me restava de vida.
A chuva de Seul batia forte contra o vidro do café em Itaewon, abafando o som do piano de fundo. Do outro lado da mesa de madeira escura, Seo-jun sorria para mim, empurrando uma xícara de caramel macchiato quente na minha direção. Ele tinha aquele brilho nos olhos de quem finalmente havia conquistado o emprego dos sonhos na maior empresa de arquitetura do país. Ele estava pronto para construir o nosso futuro.
Eu estava pronta para virar fumaça.
Noventa Dias para Te Amar
Há uma semana, o diagnóstico médico chegou como um balde de água gelada: uma condição cardíaca rara, congênita, silenciosa e incurable. O médico me deu noventa dias. Noventa dias para ver as folhas do outono caírem e o inverno congelar a cidade.
Minha primeira reação foi querer sumir, terminar com Seo-jun e poupá-lo do sofrimento. Ele já havia perdido a mãe na adolescência; eu sabia o tamanho da cicatriz que o luto deixava naquele coração tão gentil. Mas quando o vi correr na minha direção sob o temporal, segurando o casaco sobre a cabeça para não me deixar molhar, eu simplesmente rachei por dentro. Eu não conseguia deixá-lo. Não ainda.
Decidi mentir. Mas uma mentira egoísta e desesperada: eu faria daqueles três meses o dorama mais perfeito da vida dele.
"Seo-jun," chamei, fingindo uma leveza que quase me sufocou. "Vamos fazer uma lista de desejos? Coisas bobas que casais fazem antes de... bem, antes de ficarmos velhos e ranzinzas."
Ele riu, limpando uma gota de chuva do meu rosto com o polegar. "Uma lista? Desde quando você mudou de ideia sobre clichês, Chae-won?"
Nos dois meses seguintes, nós vivemos intensamente. Corremos pelas ruas de Hanok Village vestindo hanbok, rimos até chorar quando queimei o teto da boca com tteokbokki de rua, e ele segurou minha mão em cada sessão de cinema. Cada sorriso dele era um segundo a menos no meu cronômetro, mas era também a garantia de que eu estava deixando memórias quentes para o inverno que ele enfrentaria sozinho.
A Rachadura na Máscara
O problema de brincar com o tempo é que ele voa. No início do terceiro mês, meu corpo começou a cobrar o preço. As tonturas ficaram frequentes, minhas mãos tremiam e os analgésicos já não faziam efeito.
Em uma noite de sexta-feira, enquanto Seo-jun lavava a louça na cozinha da minha quitinete, cantando uma música boba que passava no rádio, meu peito apertou. Uma dor aguda, lancinante, me fez cair do sofá.
O barulho de prato quebrando ecoou pela sala.
"Chae-won!"
Ele correu, me pegando nos braços. Seus olhos se inundaram de um pavor puro e genuíno. Quando ele tentou pegar o telefone para ligar para a emergência, minha bolsa caiu da mesa, espalhando dezenas de frascos de remédios controlados e o relatório do hospital com a tarja vermelha de "Terminal".
O silêncio que se seguiu foi pior do que qualquer tempestade. Ele leu o papel. Uma, duas, três vezes. Seus lábios tremeram.
Não houve espaço para mais mentiras. Choramos abraçados no chão frio até o amanhecer. Ele não brigou comigo por ter escondido a verdade; ele apenas me segurou com tanta força, como se os seus braços fossem capazes de remendar o meu coração doente.
O Milagre e a Despedida
No dia número 89, meu coração parou de bater. Lembro do som contínuo do monitor cardíaco e da escuridão me levando. Mas o destino, ou o roteirista dessa nossa história, tinha outros planos.
Uma vítima de acidente de trânsito havia acabado de chegar ao hospital, gerando uma compatibilidade rara de última hora. Quando abri os olhos novamente, o cheiro de antisséptico invadiu meus pulmões e uma nova batida ecoava no meu peito. Eu ganhei um coração novo. Uma nova vida.
Mas a cadeira ao lado da minha cama estava vazia.
No criado-mudo, havia apenas um envelope pardo com o meu nome escrito com a caligrafia firme dele, e um pequeno pingente de prata em formato de folha de outono.
"Chae-won, ver você desaparecer aos poucos quase me destruiu. Eu aguentei firme porque achei que eram os seus últimos momentos, mas perceber o quão perto cheguei de te perder me fez entender que eu não sou forte o suficiente. Cada vez que eu olhar para você, vou lembrar do medo que quase parou o meu próprio coração.
Você tem um coração novo agora. Use-o para viver de verdade, sem o peso do nosso passado. Não me procure."
Ele tinha ido embora. Para me dar os três meses mais felizes da minha vida, ele tinha esgotado até a última gota da sua própria alma.
O Recomeço
O outono voltou a Seul um ano depois. Eu havia respeitado o espaço dele por trezentos e sessenta e cinco dias, mas a saudade era uma dor física que nem o coração mais saudável conseguia curar.
Em uma tarde de chuva idêntica àquela de um ano atrás, eu estava sentada no mesmo café em Itaewon, segurando um caramel macchiato. Olhando para o vidro embaçado, vi um homem correndo sob o temporal, segurando o casaco sobre a cabeça para não se molhar.
A porta do café se abriu com o badalar do sininho. Ele entrou, sacudindo a água do casaco. Seo-jun.
Ele olhou em volta procurando uma mesa vaga, até que seus olhos cruzaram com os meus. Ele travou. Caminhei até ele devagar, sentindo o meu novo coração dar um solavanco violento no peito. Um solavanco de reconhecimento.
Paramos a um passo de distância.
"Você... está bem?" a voz dele saiu rouca, os olhos fixos no meu peito.
"Estou", respondi, sentindo as lágrimas arderem nos meus olhos, mas sorrindo. "Ele bate forte. Mas faz muito barulho quando você está por perto."
Seo-jun engoliu em seco. Ele olhou para a minha mão e viu que eu ainda usava o pingente de folha de outono no pulso. O canto da sua boca esboçou aquele sorriso antigo, misturado com uma ponta de dor e muita saudade.
"Eu tentei esquecer", ele confessou, dando um passo tímido para mais perto e segurando minha mão. "Mas descobri que oitenta anos de amor não somem em um ano de ausência."
A chuva continuava caindo lá fora, mas ali dentro, nós finalmente tínhamos todo o tempo do mundo.
Fim

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