A minha meia irmã o ceo e eu
A chuva batia forte contra os vidros espelhados do 42º andar da Vortex Holding. Maya encarava a tela do computador, mas seus pensamentos estavam a poucos metros dali, atrás da porta de madeira maciça do escritório principal.
Mais especificamente, em Arthur Fontes.
CEO, herdeiro e, para o tormento secreto de Maya, o homem por quem ela vinha suspirando há exatos oito meses. Ela era apenas uma assistente de marketing júnior, mas Arthur tinha aquele magnetismo raro: focado, absurdamente lindo e, surpreendentemente, gentil. Quando ele segurava a porta do elevador para ela ou elogiava um de seus relatórios, o coração de Maya errava a batida. Ela achava — ou queria muito acreditar — que os olhares demorados que ele devolvia significavam algo.
O bipe do interfone a tirou do transe.
— Maya, por favor, venha à minha sala? — a voz grave de Arthur ecoou.
Ela ajeitou a saia, respirou fundo e entrou. Arthur estava de pé junto à janela, mas não estava sozinho. Havia uma mulher de costas para a porta, usando um casaco de grife impecável e saltos agulha.
— Maya, que bom — Arthur sorriu, e Maya sentiu o estômago dar voltas. Havia um brilho diferente nos olhos dele. — Eu queria que você fosse a primeira a saber. Como você tem me ajudado a organizar minha agenda pessoal ultimamente, precisa incluir isso no topo das prioridades.
— Claro, Sr. Fontes. Do que se trata? — Maya perguntou, com o bloco de notas em mãos.
A mulher de costas se virou devagar, um sorriso triunfante moldando seus lábios perfeitamente pintados de vermelho. Maya sentiu o chão sumir sob seus pés.
— Letícia? — o nome escapou dos lábios de Maya como um sopro.
— Oi, maninha! Surpresa! — Letícia exclamou, correndo para abraçar Maya de forma superficial, apenas para exibir o enorme anel de diamante de cinco quilates em seu dedo anelar.
Arthur se aproximou, envolvendo a cintura de Letícia com o braço. O gesto foi como uma facada no peito de Maya.
— Você já se conhecem? Ah, claro, Letícia me falou que tinha uma meia-irmã, mas eu não tinha feito a conexão com o sobrenome! — Arthur riu, genuinamente feliz. — Maya, eu e a Letícia ficamos noivos no fim de semana. Quero que você me ajude a blindar a agenda para os preparativos do casamento.
O mundo de Maya desabou em câmera lenta.
Letícia era filha do segundo casamento de seu pai. Elas nunca foram amigas. Letícia sempre fora a expansiva, a favorita, a garota que conseguia tudo o que queria — e que parecia ter um radar infalível para arrancar de Maya qualquer faísca de felicidade. Maya sabia que Letícia estava namorando um "empresário de sucesso", mas nunca, nem em seus piores pesadelos, imaginou que o tal homem misterioso era o CEO por quem estava perdendo o sono.
— Noivos... Que incrível. Parabéns aos dois — Maya conseguiu dizer, sua voz soando robótica enquanto lutava contra as lágrimas que queimavam seus olhos.
— Obrigada, querida! — Letícia sorriu, os olhos brilhando com uma malícia que Arthur, cego de paixão, não conseguia ver. — Quero que você seja minha madrinha, Combined? Arthur fala tão bem do seu trabalho aqui. Vai ser perfeito ter você cuidando dos detalhes para nós.
Arthur olhou para Maya com carinho.
— Seria uma honra para nós, Maya. Você se tornou uma pessoa muito importante aqui na empresa.
Maya olhou para a mão de Arthur na cintura de sua meia-irmã. O amor secreto, os cenários românticos que ela havia criado em sua mente, a esperança de que ele a notasse... tudo virou cinzas em questão de segundos.
— Claro... — Maya forçou o sorriso mais doloroso de sua vida, engolindo o choro. — Vai ser um "prazer" ajudar vocês.
Ela pediu licença e caminhou de volta para sua mesa. O conto de fadas que Maya havia criado em sua cabeça tinha acabado de se transformar em seu pior pesadelo corporativo e familiar. E o pior de tudo: ela teria que assistir a tudo de camarote.
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